[Resenha] Neptuno - Letícia Wierzchowski

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A leitura de alguns livros foi necessária para que  eu compreendesse que embarcar em uma obra de Letícia Wierzchowski é muito mais do que conhecer uma nova história. É poesia. É jogo de palavras. É sentir. Chorar.


Depois de terminar Navegue a Lágrima, Sal e A Casa das Sete Mulheres, senti que precisava mais da autora. Conhecê-la de perto, e descobrir uma pessoa simpática e emocionada com o reconhecimento do trabalho literário, despertou em mim a ânsia de ir em busca de mais material. Se em grandes livrarias eu não encontrava as obras antigas, optei pela internet. E quando encontramos promoção, o melhor é não esperar. 

Escolhi quatro livros assinados por Letícia, entre eles Um Farol no Pampa, continuação de A Casa das Sete Mulheres e desejado há muito tempo. Espero tão logo poder voltar aos campos do Sul em um tempo tão distante. Também chegou Uma Ponte Para Terabin, Os Getka e Prata do Tempo.



Enquanto as encomendas não chegavam, encontrei em uma livraria de Porto Alegre o que veio a se tornar o objeto desse texto, mesmo que eu ainda não o tenha introduzido aqui. A capa, desde o primeiro momento me chamou a atenção. Com fundo claro e imagem vermelha, logo imaginei que um crime sondava a narrativa. Comecei a leitura lá mesmo. Procurei um banquinho e li os primeiros capítulos. Depois paguei para que ele pudesse definitivamente ser meu.

Já falei demais sobre mim por aqui. Vamos à obra.

Neptuno. Esta é a palavra que dá nome ao romance e ao balneário onde boa parte da história se passa. Narrado pelo advogado Key, o livro retrata a vida de M. Aos 19 anos ele confessa: eu matei uma pessoa.

A partir daí, Key nos conta todas as etapas que levaram o menino M. a cometer um crime tão grave. Tudo começa quando ele decide passar temporada de verão com os avós em Neptuno, uma praia como outra qualquer, pacata no inverno e um pouco mais badalada nos meses mais quentes. Naquele balneário, M. conheceu June. Aos 15 anos, a jovem era bastante falada pela cidade e os dois acabaram se envolvendo em um romance. 


A cada encontro, Key se afeiçoa mais com M. Aquele menino simpático, que viveu a vida inteira com um pai distante e desinteressado pela vida do próprio filho. A mãe também não foi a das melhores. 

O texto é bastante curto, embora profundo, como sempre. A leitura é rápida. Um fato a destacar é que os acontecimentos são retratados de forma leve. E alguns pontos importantes são colocados de forma bastante sutil.  Key, o narrador, dá algumas voltas até chegar ao ponto auge da narrativa: como M. cometeu o assassinato. Para muitos, em resenhas que li na internet, isso incomodou. Contudo, não para mim. 

Enfim, para terminar esse texto, aconselho a leitura de Neptuno. Um livro curto, bem escrito. E o melhor: faz parte da literatura brasileira.


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