Da bala ao troco solidário

- Um centavo pode ser em bala? - perguntava a moça que trabalhava no caixa toda vez que eu ia em alguma loja com meus pais ou avós.

Eu devia ter em torno de uns dez anos, ou menos, quando ouvia isso. Hoje, ninguém mais faz esse tipo de pergunta. Talvez seja até mais fácil o caixa me questionar se pode ficar devendo alguns centavos do troco.

E, cada vez mais, noto isso quando vou aos supermercados. Com o passar do tempo, as práticas adotadas mudaram radicalmente. De um tempo para cá, surgiram as caixinhas de doações para as entidades que necessitam de ajuda. Lá nos primórdios nós mesmos éramos convidados a depositar as moedinhas com o dinheiro que recebíamos do troco das compras.



Mas, agora, tudo está diferente. As caixinhas desapareceram dos supermercados, entretanto, as doações continuam a ser pedidas.

- Dois centavos pode ser doação? - questiona a moça que me atendeu. Normalmente eu respondo que sim, desde que o valor pedido não seja absurdamente alto.

Antes que alguém se volte contra mim com o rumo que este texto está tomando, eu não tenho nada contra realizar estas doações. Porém, acredito que deva ser algo espontâneo. Às vezes, fico constrangida em dizer não. Porém, quando chega o final do mês, cada centavo na minha carteira se torna precioso. Afinal, de cinco em cinco eu chego a um real.

Ultimamente, o que tem me incomodado é o alto valor exigido pelos caixas ao troco solidário. Tudo tem um limite. Outro dia, fui ao mercado fazer minhas compras semanais e perguntaram se 38 centavos poderia ser doação. Oras, eu poderia ter ouvido errado, poderia ser oito. Depois aquilo soou como uma piada. Claro, 38 centavos. Com esse valor eu quase compro um bombom.

Milhões de pensamentos invadiram a minha cabeça e eu não consegui fazer a matemática para dizer o quanto eu queria de troco. Mas eu disse que não. Aqueles 38 centavos não poderiam ser doação. Mesmo assim, o moço do caixa me devolveu apenas 30 centavos, quando para facilitar, ele poderia ter me dado 35 centavos. Ainda estou pasma.


Minha vontade, da próxima vez que isto acontecer é perguntar se eu posso ficar devendo os 38 centavos. Será certo que o gerente vai ser chamado, e uma fila gigante se formará no caixa rápido. Acho que tudo nessa vida tem limite.  E vou exigir meus dois centavos de volta na carteira quando me perguntarem.

Sobre o dia em que conheci Letícia Wierzchowski

O coração disparou assim que coloquei os pés no Bourbon Country, em Porto Alegre. As pernas ficaram trêmulas à medida em que me aproximava da Livraria Cultura. Faltava pouco para eu conhecer a autora dos meus livros preferidos.

Quando soube que Letícia Wierzchowski estaria em uma sessão de autógrafos em Porto Alegre em um sábado, não medi esforços para poder ir. Afinal, essa era a minha vontade desde que li A Casa das Sete Mulheres.  Encontrei o livro após muita procura, em uma Livraria Cultura em São Paulo.. Depois que li, guardei-o com carinho. E então vieram outras obras da autora. Li Sal e Navegue a Lágrima - este último o meu preferido entre todos. 

A Casa das Sete Mulheres estava  guardado no fundo da bolsa desde a noite anterior, esperando apenas a oportunidade de ser autografado. Não tinha certeza absoluta se eu conseguiria o autógrafo, pois o lançamento era de outro livro, Brinca, Menino. Mas não perderia a oportunidade. No fim, fiquei arrependida de não ter levado as demais obras que tenho em casa.


Cheguei no local minutos depois de a sessão de autógrafos ter começado. Eu estava nervosa, pois nunca antes pude conhecer as pessoas que criaram minhas histórias preferidas. Na fila, na minha mente, martelava como iria introduzir uma conversa. Quando minha vez chegou, respirei fundo e entreguei meu exemplar de Brinca, Menino.


Fiquei emocionada. Afinal, foram 300 quilômetros de viagem e um plantão trocado para conseguir chegar em Porto Alegre. Letícia foi tão simpática que, se pudesse, e se não tivesse outras várias pessoas na fila, ficaria conversando por horas com ela.

Que venham as próximas sessões de autógrafos.

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